segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Prefeitura de Fátima do Sul fecha cineclube(s)

Caros , hoje pela manhã quando checava meus emails me deparei com este que segue abaixo , ele foi postado na lista de diálogos do CNC(Conselho Nacional de cineclubes Brasileiros ), trata-se de um desabafo e de uma denuncia de um companheiro cineclubista do Mato Grosso do Sul . Pelo que se pode Perceber , Lá em Fátima do Sul que fica no Mato Grosso do Sul , a Prefeita , senhora Ilda Salgado Machado governa com mãos de ferro, para si e não para o povo .

Email de Vinicius Oliveira

Queridos Cineclubistas

Escrevo para contar as dificuldades que enfrentamos em Fátima do Sul MS com o nosso Cine.
Fomos comtemplados no edital para municípios com até 20 mil habitantes de 2009, e o projeto teve início em julho de 2010.
Os problemas começaram já para assinar o projeto escrito, a prefeita não queria assinar, devia achar que era bobagem eu não entendia o que se passava naquela cabeça. Imagine depois que o projeto foi contemplado, foi uma luta. Logo após a chegada dos equipamentos, devido o tamanho da tela precisamos nos mudar para outro espaço mais adequado. O projeto começou tímido, na estréia a prefeita não compareceu e tivemos um grande atraso, mas era um dia especial e nosso cine estava montado. Ao decorrer do ano recebemos muitas escolas, ONGs, e público em geral. Funcionava muito com as escolas, e os professores gostavam pois fugia daquilo que sempre tinham em sala de aula, pois através do cinema puderam muitos entrar em contato com a realidade. Fizemos mostras de cinema, participamos de circuitos nacionais, foi muito bom.
Até que em dezembro de 2010 resolvemos fazer uma semana com filmes do cinema mundial, antes que as atividades de Natal que a prefeitura realiza todo ano tivesse início na praça em que o Cine se localiza. A prefeita queria que fizéssemos sessões durante as atividades de Natal (isso eu fiquei sabendo depois que o Natal acabou), mas não funcionava, pois o barulho na praça era muito grande e interferia tanto, ao ponto de não dar para ouvir o que se passava no filme com o volume nas alturas. E também estávamos chegando num período de poder exibir filmes mais elaborados, e isso não seria possível, porque os informantes da prefeita não entendiam o valor daqueles filmes e falavam mal, pois com certeza gostariam de assistir Dois filhos de Francisco ou Xuxa especial de Natal. Esperamos acabar o Natal e tentamos voltar com as atividades, mas sem sucesso pois logo depois que reabrimos a prefeita ordenou que o Cine fosse fechado. Entramos de férias, e na volta fui exonerado.
Desde o começo foi difícil realizar uma coisa tão simples, logo que recebemos os equipamentos a prefeita me chamou na sala dela pra dizer que esses equipamentos ela comprava com dinheiro daqui, que não precisava das coisas de fora e que eu estava viajando muito, sendo que fui até Cuiabá para a oficina de capacitação. Tive que apenas ouvir, pois uma pessoa que tem a capacidade de afirmar uma coisa assim não deve ser segura de si mesma. Conversar sobre a importância das políticas públicas culturais era impossível, imagine só o diálogo com uma prefeita que não faz a mínima ideia do que seja um edital e de como fazemos para concorrer com um projeto. Ela ao menos tem o ensino fundamental, e acha que vive uma monarquia.
Isso não é nada das coisas que aconteceram, daria um livro sobre barbaridades que já tive que ouvir. Sou estudante de Artes Cênicas, e sei que o trabalho realizado em Fátima do Sul era o mínimo que eu poderia fazer, afinal não tínhamos recursos específicos para a cultura. O projeto está parado e estarei em contato com a direção do Cine Mais Cultura tentar resolver a situação. A prefeitura que não cumpriu com o seu dever, pois deveria manter o espaço destinado ao Cine.
Desculpem o desabafo, mas é bom as pessoas saberem que ainda existem prefeitos assim, principalmente em municípios pequenos. O Nome dela é Ilda Salgado Machado, esposa do Deputado Londres Machado e mãe de Grazielle Machado vereadora em Campo Grande.

Grato pela atenção de todos, e precisamos reconquistar a cultura sul-mato-grossense!

Att
Vinicius Oliveira
Email encaminhado por :
v.i.nni@hotmail.com

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O Cineclube Beco do Rato fora do Beco.

O Cineclube Beco do Rato nasceu em outubro de 2005 com o intuito de ser um ponto de livre acesso a bens culturais, tanto para quem produz quanto para quem apenas quer apreciar. E é carregando essa bandeira, a bandeira do livre acesso que realizamos nossas sessões semanalmente toda quinta feira na Lapa, hora com roda de choro e poesias, hora com exposição de quadros, grafite, lançamento de livros, debate político pré-eleição, enfim, tudo que conseguimos fazer e juntar gente pra realizar.

Nesse pensamento, iniciamos no fim do segundo semestre de 2010 um projeto de itinerância que tem o objetivo de ocupar novos espaços por um curto tempo a fim de fomentar o nascimento de um novo cineclube que será um ponto de encontro, local em que pessoas se conhecem, novos projetos nascem...

Sempre carregamos nossos ideais e é por isso que não ocuparemos mais o espaço que criamos e ajudamos a fomentar, o bar agora, assim como o cineclube desde seu inicio se chama Beco do Rato, mas é importante não confundir, pois hoje lá nas noites de quinta (até semana passada noite de cineclube e choro) agora se cobra entrada e um muro de caixas de cerveja divide a rua entre os que podem entrar e os que não podem . O Cineclube não funciona assim, não pode compactuar com isso, nossa bandeira é a do livre acesso, é a proposta de juntar gente, proporcionar invenções, trocas, liberdade por que cultura é a mãe! E como se pararmos a bicicleta cai, continuaremos com nossa itinerância onde todos são bem vindos.

Nossa próxima exibição será dia 11 na quadra do Coroado na Cidade de Deus, Apê em seguida realizaremos a sessão em parceria com a Mostra do Filme Livre (MFL) na sala de Cinema Eduardo Coutinho em Jacarepaguá no Retiro dos Artistas, em Abril estaremos no Ciep César Perneta em Parque União, lá realizaremos duas exibições por mês durante quatro meses... Enfim, o Rato muda de toca, aumenta a quantidade de amigos e segue andando pela Cidade(s).
Um abraço a todos e até a próxima sessão, nossa programação é regularmente atualizada no blog, twitter e facebook, nos procure, siga e adicione.

Um queijo e uma cachaça para todos
Informações em:
www.becodorato.wordpress.com
www.twitter.com/cinbecodorato
cineclubebecodorato@gmail.com
Também estamos no facebook e twitter, nos adcione

André Sandino Costa – Membro fundador e atual coordenador do Cineclube Beco do Rato
Vanessa Junqueira - Produtora Executiva do Cineclube Beco do Rato
Veridiana Cardoso – Produtora do Cineclube Beco do Rato
Leonardo Oliveira – Produtor do Cineclube Beco do Rato

O cineclube Beco do Rato é uma realização da Associação Cidadela .
É filiado a Ascine-RJ(Associação de Cineclubes do Rio de janeiro e ao CNC(conselho nacional de cineclubes Brasileiros ).
È Membro dom Coletivo fora do Eixo .

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Nova Secretária do Audiovisual

From: Lidnarla Carvalho de Aguiar
Sent: Wednesday, February 02, 2011 6:39 PM
Subject: Nova Secretária do Audiovisual



Ana Paula Santana foi nomeada ao cargo nesta quarta-feira

Foi nomeada nesta quarta-feira, 2 de fevereiro, a nova secretária do Audiovisual Ana Paula Santana, escolhida recentemente pela ministra, Ana de Hollanda, ao anunciar a sua equipe. Ana Paula será a mais nova e a única mulher a ocupar o cargo antes ocupado pelo roteirista Newton Cannito. A nomeação foi publicada no Diário Oficial da União. “Considero o convite da ministra Ana de Hollanda antes de tudo uma decisão corajosa que me motiva a trabalhar cada dia mais para o meu país.”

Ana Paula ingressou no Ministério da Cultura como estagiária em 2002 e há nove anos se dedica exclusivamente ao setor audiovisual. Foi assessora na extinta TV Cultura e Arte, coordenadora de intercâmbio cultural da SAv, assessora internacional e jurídica do secretário, gerente de fomento às atividades audiovisuais, chefe de gabinete da SAv de 2007 a 2010, diretora de Programas e Projetos Audiovisuais, secretária do Audiovisual substituta, dentre outras funções.

A secretária afirma não gostar de trabalhar com marca de gestões, mas que quer deixar um legado de construir a identidade cultural de sua geração. “A minha geração é uma geração perdida da cultura brasileira. Agora eu tenho a oportunidade de fazer a diferença. E eu farei a diferença trabalhando em conjunto com os mestres e novos jovens no estimulando o aprendizado e valorizando o que o nosso país tem a nos dar. Bebendo do passado e construindo o futuro. Acho que eu e minha geração podemos fazer a Revolução Criativa”.

Sobre a sua experiência na SAv, Ana Paula relata que foi muito privilegiada em ter convivido com os secretários José Álvaro Moisés, Orlando Senna, Silvio Da-Rin e Newton Cannito. “Aprendi muito com José Álvaro que me deu a oportunidade de trabalhar com Lisiane Taquary que teve a sensibilidade de evidenciar e investir no meu talento; com a confiança e sabedoria de Orlando Senna; com a ética, respeito ao trabalho público e com a trajetória de construção institucional do audiovisual brasileiro de Silvio Da-Rin e com toda genialidade, criatividade e poder de inovação do Newton Cannito. Desde que entrei na SAv busquei fazer o melhor, sempre com curiosidade, ética e responsabilidade, aprendendo a cada dia, pois tinha como lema que quem fazia o mais também tinha que aprender a fazer o menos. Por isso muito me orgulha ter feito de tudo na SAV”.

A nova secretária assegurou que continuará com o trabalho que Secretaria do Audiovisual desenvolveu nos últimos anos e pretende avançar muito. Avançar no poder criativo do indivíduo, no papel indutor do estado em criar mecanismo de sustentabilidade das ações e processos, e pretende contar com apoio de todos do setor audiovisual para construção conjunta de políticas para o audiovisual no brasileiro e para aumentar a sua presença no cenário internacional. Ainda pretende reforçar a competência de formulação de políticas na Secretaria do Audiovisual, tendo em vista que este setor tem papel estratégico na Política do Estado Brasileiro. “Não podemos nos esquecer em nenhum momento que o audiovisual desde as ações de preservação da memória e dos acervos até as ações distribuição e difusão são elos importantes que merecem olhar apurado e ações e políticas efetivas. Tenho consciência que o Audiovisual é uma das molas propulsoras a economia criativa e temos que também navegar nessa nova onda. A onda da economia criativa, da economia de serviços, dos coletivos criativos, onde idéias/conceitos/processos e inovação são ativos que agregam os valores que o público consumidor deseja e escolhe”, afirma.

Assessoria de Comunicação SAv/MinC

Narla Aguiar

Ministério da Cultura

Assessoria de Comunicação
Secretaria do Audiovisual
(61) 2024-2265

www.cultura.gov.br/audiovisual

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

CARTA DO CNC - CONSELHO NACIONAL DE CINECLUBES - À MINISTRA ANA DE HOLLANDA

CARTA DO CNC - CONSELHO NACIONAL DE CINECLUBES - À MINISTRA ANA DE HOLLANDA
Excelentíssima Senhora,
Ana de Hollanda
DD. Ministra de Estado da Cultura

O Movimento Cineclubista Brasileiro, através de sua entidade nacional - o CNC - Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros, que conta cerca de 500 cineclubes associados e em atividade em todos os 27 estados, parabeniza sua nomeação para o exercício do cargo de Ministra de Estado da Cultura.

Estamos certos que seu histórico de militância pelas artes e pela cultura brasileira, são garantidores de que o Ministério da Cultura continuará em boas mãos e que sua gestão seguirá fortalecendo e ampliando a importância do MinC na implementação de políticas públicas federais que objetivem promover as condições necessárias a erradicação da miséria e mais do que isso, para que todos os brasileiros possam exercer plena cidadania social, econômica e cultural.

Manifestamos também nossa certeza de que sua gestão preservará, fortalecerá e ampliará os canais de diálogo e as instâncias de participação da sociedade civil junto ao Ministério da Cultura, que apesar de terem sido criados durante os último oito anos, necessitam ainda ser fortalecidos, ampliados e aprimorados de modo a que venham a se consolidar como instrumentos de uma efetiva e permanente política de estado para o setor cultural.

Por outro lado, manifestamos também nossas expectativas de que as vitoriosas políticas públicas, programas, ações e parcerias que vinham sendo desenvolvidas pelo MinC relacionadas ao cineclubismo, como por exemplo, a Programadora Brasil e o programa Cine+Cultura, que durante a gestão do ex-Secretário do Audiovisual, Silvio Da Rin foram fortalecidos, ampliados e no nosso entendimento, consolidados.

Solicitamos portanto especial atenção de Vossa Excelência para que tais programas não sofram qualquer solução de continuidade, mesmo porque são eles frutos maduros do atendimento à históricas reivindicações apresentadas ao MinC pelo conjunto do movimento cineclubista brasileiro e do estabelecimento de uma parceria concreta entre o estado e a sociedade civil organizada.

Comunicamos ainda nossa imensa alegria em relação ao fato de ter Vossa Excelência destacado em seu discurso de posse, como um seus principais objetivos, o de promover o desejável e necessário casamento das políticas culturais com as políticas educacionais, já que atualmente esta é também uma das principais bandeiras de luta do movimento cineclubista brasileiro. Neste contexto colocamos o CNC e o movimento cineclubista brasileiro a sua inteira disposição para a concretização também deste objetivo.

Finalmente, solicitamos que na medida do possível, mas dentro do menor prazo de tempo, conceda uma audiência aos nossos representantes, na qual lhe serão apresentados os resultados que vêm sendo auferidos pelos projetos e programas atualmente em desenvolvimento através de parcerias com este Ministério, bem como as nossas propostas para sua continuidade e aprimoramento.

Na certeza da atenção de Vossa Excelência, apresentamos nossos votos de sucesso e consideração.

Saudações Cineclubistas,

Pela Diretoria
Luis Alberto Cassol
Presidente do CNC - Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros


CNC - Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros

Diretoria Executiva:
Presidente: Luiz Alberto Cassol - Cineclube SMVC/RS
Vice-Presidente: Saskia Sá - Cineclube Abd Capixaba/ES
Secretário Geral: Gilvan Veiga Dockhorn - Cineclube Abelin Nas Nuvens/RS
Secretário Adjunto: Lauro Monteiro - Cineclube Paraty/RJ
Tesoureiro: Télcio Brezolin - Cineclube Lanterninha Aurélio/RS
Tesoureiro Adjunto: Mariza Teixeira - Cineclube Vozes Do Morro/ES
Diretor de Articulação Regional: Gê Carvalho - Cineclube Amoeda Digital/PE
Diretor de Articulação Regional Adjunto: Davy Alexandrisky - Cine Olho/RJ
Diretor de Formação: Jorge Conceição - Cineclube Imaginário/BA
Diretor de Formação Adjunto: Isidoro Cruz Neto - Cineclube Projeto Kalu/MA
Diretor de Memória: Nélson Marques - Cineclube Natal/RN
Diretor de Memória Adjunto: Gizely Cesconetto - Cineclube Laguna/SC
Diretor de Acervo e Difusão: Bruno Nunes Cabús - Cineclube Central/ES
Diretor de Acervo e Difusão Adjunto: Carolinne Vieira - Cineclube Gastrô/CE
Diretor de Comunicação: João Batista Pimentel Neto - Cineclube Difusão/SP
Diretor de Comunicação Adjunto: Simone Norberto - Cineclube Oca/RO


Diretorias Regionais:
Norte:
Diretor Regional: Arthur Leandro - Cineclube Rede [Aparelho] /PA
Diretor Adjunto: Juliana Machado - Cineclube Aquiry/AC
Nordeste:
Diretor Regional: Graziele Andrade Ferreira - Cineclube Npd Orlando Vieira/SE
Diretor Adjunto: Alex Nunes Barroso (Alex Fedoxx) - Cine Molotov/CE
Centro Oeste:
Diretor Regional: Lourenço Aparecido Favari - Cineclube Crec/SP
Diretor Adjunto: Daniela Maria Teixeira - Cineclube Participação/ES
Sudeste:
Diretor Regional: Renata De Oliveira Ramos - Cineclube Funec/MG
Diretor Adjunto: Valdecir Edson Marques - Cine Everest/SP
Sul:
Diretor Regional: Reno Luiz Caramori Filho - Cineclube Independente/SC
Diretor Adjunto: Helen Maria Psaros - Cine Guará/PR

domingo, 9 de janeiro de 2011

Marcados os dois próximos encontros do Pcult RJ

É com muita satisfação que convidamos, convocamos informamos.
Os dois primeiros encontros do PCult RJ na Rua estão marcados.
Abaixo seguem as informações sobre os locais, horários, datas.

Vamos levar o papo da cultura, do acesso pra fora do terreno da produção e criação.
Um forte abraço a todos e até lá

18/01, 18 horas – CISANE
Rua Sebastião de Melo, 384 - Jardim Nova Era - Nova Iguaçu - RJ - Tel.: (21) 3103-9495
quem vem do rio pode pega o evanil na central, sentido CABUÇU (só serve da empresa evanil: Dutra / Prefeitura / Shopping / entrada de madureira / passa a unig / quando passa pelo posto de gasolina Mega Iguacu, saltar no terceiro ponto / segue em frente pela rua silvio de freitas / passa em frente ao posto de saúde de nova era e a creche de nova era e já chegou.
quem vem de trem espere na estação que o CISANE vai dar maiores informações sobre o transporte. Pros perdidos, 78998357 ou 31039495, que o disk perdido da cultura estará funcionado.

24/01, 19 horas – Campus Avançado
Rua Coronel Tamarindo, 61 - Gragoatá
fica em frente ao Clube Gragoatá a 300m da entrada do Campus do Gragoatá da UFF.
(se puser o endereço no google maps aparece tudo)
http://partidodacultura.blogspot.com/

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Revisão da lei de direito autoral e Ecad

Publicado em http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/EDUCACAO-E-CULTURA/192340-REVISAO-DA-LEI-DE-DIREITO-AUTORAL-PODE-COMECAR-A-TRAMITAR-NESTE-SEMESTRE.html



Revisão da Lei de Direito Autoral pode começar a tramitar neste semestre
A nova ministra da Cultura, Ana de Holanda, afirmou que uma de suas prioridades é a revisão da Lei de Direito Autoral. A tramitação da proposta, que está sendo discutida pela Casa Civil, deve começar neste primeiro semestre.

No ano passado, o anteprojeto ficou sob consulta pública no Ministério da Cultura por quase três meses e recebeu mais de 8 mil sugestões. Ao longo dos debates, foram organizadas mais de 80 reuniões setoriais em todo o Brasil, seis seminários nacionais e um internacional, o que envolveu mais de 10 mil interessados e o estudo da legislação de mais de 30 países.

O texto divulgado, porém, ainda não incorporou o resultado dessas consultas.

Licença não voluntária
O governo vai propor mudanças na chamada licença não voluntária, um dos pontos mais polêmicos da lei em vigor. Por esse instrumento, interessados em explorar comercialmente uma obra poderão pedir ao Estado uma autorização especial.

O mecanismo poderia ser usado no caso de obras não exploradas pelo titular de direito, como autores já mortos, e principalmente em casos de herdeiros que dificultam ou negam a exibição do trabalho. Nesse caso, os herdeiros continuariam sendo remunerados pelos direitos autorais, com valor fixado pelo MinC com base em valores de mercado. Há dois casos conhecidos: os textos da escritora Cecília Meireles e as obras da artista plástica Lygia Clark.

A ministra Ana de Holanda afirmou que o tema é polêmico e o que está em análise na Casa Civil é um texto que ela não conhece. Segundo a ministra, é necessário ouvir mais pessoas do meio artístico e da área jurídica. "Chamar mais juristas, mais pessoas que possam conhecer e entender do assunto mais profundamente porque é uma questão muito delicada, porque mexe com a criatividade. A criatividade para mim é uma prioridade. Isso merece um olhar um pouco mais delicado."

Apoio social

A ministra assumiu o cargo recebendo uma Carta Aberta assinada por ONGs, centros de cultura e universidades que elogia iniciativas do governo passado, como o desenvolvimento de softwares livres, as discussões sobre o Marco Civil da Internet e a iniciativa de revisão da lei de direitos autorais.

O coordenador do Laboratório Brasileiro de Cultura Digital, Cláudio Prado, elogia a iniciativa de mudanças na lei de direitos autorais. "O direito autoral precisa ser visto como forma de equilibrar o direito pessoal dos autores e o direito público, que é garantido por todas as Constituições do mundo. Só que essas duas garantias são contraditórias diante das possibilidades que o digital faz. Então mais da metade do mundo chama de pirataria uma fantástica forma de democratizar acessos."

Atualmente, mais de dez mil processos sobre direitos autorais tramitam na Justiça, sendo que a maioria deles trata de direitos na música. A ministra Ana de Holanda afirmou que os avanços dos últimos oito anos na pasta serão assegurados e lembrou que, nos quatro primeiros anos de Lula, na época de Gilberto Gil, ela trabalhava na Fundação Nacional de Arte (Funarte), ligada ao MinC, e que, por isso, se sente participante dessas conquistas.


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Publicado em http://www.bkcsom.com.br/2011/01/ecad-na-berlinda/

ECAD na berlinda

O ministério da Justiça, através da Secretaria de Direito Econômico (SDE), instaurou um processo contra o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad). A denúncia, feita pela Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), acusa a instituição de formação de cartel, alegando que o escritório e suas associadas cobravam o mesmo valor relativo a direitos autorias, não permitindo concorrência.

A Lei Federal 9.610/98, conhecida com Lei do Direito Autoral, confere ao Ecad o monopólio da arrecadação e distruibuição dos valores dos direitos autorais relativos à execução pública de música no país. Os donos dos direitos podem fixar os valores para a execução pública de suas obras indivudualmente ou por meio de associações. Mas o que ocorre hoje, segundo o presidente da ABTA, Alexandre Annenberg, é diferente. As associaçõess fixam os valores dos direitos em conjunto, e não de forma individual, como previsto na lei.

A SDE resolveu intervir, por se tratar de um bem cultural, já que o escritório é responsável pelos direitos autorais. Segundo Annenberg, a associação tentou encontrar um solução para a questão há alguns anos, mas o Ecad se recusou a colaborar. "A instituição simplesmente não se dispôs a estudar novas formas, mais justas e eficazes", desabafa.

Annenberg acrescenta que o escritório cobra 2,5% do faturamento bruto de cada emissora, independentemente do conteúdo ou dos autores das músicas. "A cobrança em cima da arrecadação total da empresa deixa claro que estamos lidando com um cartel", conclui. O presidente da ABTA acusa ainda o Ecad de ser um monopólio, que tem o direito de arrecadar e distribuir, mas que não deveria ter o poder de fixar valor, o que deveria ser feitos pelos autores. Também segundo Annenberg, uma associação que queira cobrar um preço diferente, atualmente, não pode. "Um associação de compositores, por exemplo, que tenha um repertório diferente e queira cobrar valores diferentes, não pode se filiar ao Ecad. Só podem se associar a entidades que têm o mesmo pensamento do escritório", denuncia.

A superintendente executiva do Ecad, Gloria Braga, explica que o escritório não pode ser caracterizado como um cartel. "Nosso sistema de gestão e de nossas associadas não pode ser cartel porque as atividades de arrecadar e distribuir direitos autorais não são de natureza econômica, já que a música não pode ser caracterizada como um bem de consumo a ser ditado pelas regras de concorrência", defende.

Segundo Gloria, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) já analisou e julgou o caso, entendendo que o Ecad não exerce atividade econômica, uma vez que sequer tem finalidade lucrativa, atuando apenas como mandatário dos autores de músicas.

Matéria de Fernanda Coimbra, revista Backstage, paginas 32 a 34, edição 191, outubro/2010. Leia na íntegra em http://www.backstage.com.br/

sábado, 25 de dezembro de 2010

A arte do encontro: os cineclubes e o cinema popular contemporâneo

Por:
Priscilla Duarte

A arte de hoje se desenvolve em função de noções interativas, conviviais e relacionais, porém o sujeito é quase sempre reduzido à condição de consumidor de tempo e de espaço. Por isso, para escapar do previsível, é preciso assumir formas clandestinas, já que o vínculo social se tornou um produto padronizado. Nas relações humanas, hoje, a prática artística aparenta um espaço parcialmente poupado à uniformização dos comportamentos.

Sabemos que o século XX foi palco de oposição às forças autoritárias que pretendiam moldar as relações humanas submetendo os indivíduos. Questionar esta idéia preconcebida de evolução da história era aprender a habitar o mundo estreitando o espaço das relações.

“A coisa em si não teria muita importância se esses donos da verdade, intitulando-se detentores legítimos da palavra, não decretassem o que a sociedade ou o indivíduo ‘devem ser’.” Michel Maffesoli

Com o advento das novas tecnologias, novas possibilidades surgiram no campo da arte e do audiovisual, o uso da TV e do computador expandiram o cinema para além das salas escuras. As imagens começam a migrar da tela do cinema para os museus e galerias, espaços estes que permitiram também a integração sensorial do espectador. A imagem-movimento foi introduzida no mundo da arte através do vídeo, que reforçou o encontro entre cinema e arte.
Os paradigmas da história da arte começaram a ser questionados a partir do surgimento da fotografia no século XIX, passando pelo cinema, o vídeo e agora as novas tecnologias digitais e a internet com a conexão do mundo contemporâneo. Instaura-se, então, a reflexão sobre o impacto das novas mídias.
As tendências que marcaram as relações do cinema com as artes plásticas começam com as vanguardas históricas (futurismo, dadaísmo, surrealismo, expressionismo, abstracionismo), passando pelos movimentos pós-modernos (pop art, body art, land art, minimalismo, neoconcretismo, arte conceitual, fluxus), as instalações audiovisuais e a web.
Ante a necessidade de discutir a história da arte na cultura eletrônica e, posteriormente, na digital, verificou-se a urgência de pensar essa disciplina sob uma nova perspectiva que não a especificidade. O vídeo surge num momento de rompimento da arte com a noção de especificidade de linguagens.
Percebeu-se que o meio videográfico não é uma tecnologia de registro e memória de arquivos, mas uma linguagem com mecanismos expressivos, com estratégias artísticas em seu caráter processual que transitam em diversos ambientes criativos.


Cine-Fluxus

Nos anos 60, o grupo Fluxus gerou manifestações associadas a dispositivos tecnológicos. Como outros movimentos de vanguarda, era contra a arte, que só podia ser legitimada por museus e colecionadores, que atuavam. Um movimento artístico contraditoriamente considerado “anti-arte”. Os fluxfilmes eram, a maior parte, exibidos do Fluxhall, cineclube que funcionava no apartamento de Maciuna em Nova York. O Fluxus foi uma comunidade inter-indisciplinar de artistas, músicos, poetas, artistas plásticos, que se reuniam em torno das experiências de John Cage e Marcel Duchamp. Desta comunidade, além de Paik, Vostell, Duchamp e Cage, faziam parte: Merce Cuningham, com experiências no campo da dança; Robert Rauschemberg na pintura; George Marciunas; Dick Riggins; Joseph Beuys; George Brecht e Grupo Gutai, entre outros.
Na década de 70, o chamado cinema expandido, de Gene Youngblood, vem com a proposta de ampliar o cinema para o cinema ambiental, hibridizado, que cruza com diferentes mídias e busca interação.
Nos anos 80, as produtoras independentes, as televisões locais e as TVs comunitárias tornam-se práticas artísticas através do vídeo.

“Essa explosão se torna, por exemplo, a negação dos lugares tradicionalmente eleitos para a experiência estética: a sala de concerto, o teatro, a galeria, o museu, o livro. Realiza-se, assim, uma série de operações – como a land art, a body art, o teatro de rua, o trabalho teatral como ‘trabalho de bairro’ – que, em comparação com as ambições metafísicas revolucionárias das vanguardas históricas, se revela mais limitada, mas também ao alcance mais concreto da experiência atual.” (Gianni Vattimo)


Encontros, trocas e possibilidades

A transitividades dos circuitos alternativos de exibição nos introduz num diálogo que nega a existência de um “lugar do cinema”, que nega a especificidade em favor de uma discussão sempre inacabada, produzindo relações entre indivíduos, grupos, espectadores e o mundo:

“Hoje, frente aos estatutos sociais supostamente imutáveis (classes, categorias socioprofissionais), afirma-se a exigência da mobilidade. O mesmo se dá por meio da circulação de livros e jornais, real e virtual, pela proliferação das trocas: comércio de bens, comércio de idéias, comércio amoroso. Já mostrei em outras circunstâncias como esta troca generalizada constituía a marca inconfundível das ‘revoluções’ societária.” (Michel Maffesoli)

Cineclube é encontro que provoca colisão, que possibilita formas alternativas de existência. Relações que geram outras relações, propostas que geram propostas e trocas. Abordagem construída ao longo da própria abordagem. Numa sessão de cinema comum, a discussão fica para depois do espetáculo. No cineclube a discussão se dá no processo. Não no meio do filme sendo projetado, mas no processo de formatação das sessões. O cineclube representa um interstício social, o qual o filme é apenas um dos acontecimentos. Sem fins lucrativos, o cineclube foge ao quadro da economia capitalista. Problematizando a esfera das relações numa comunidade de trocas, o cineclubismo realmente desenvolve um projeto político:

“Assim como penso que é ilusório apostar numa transformação gradual da sociedade, da mesma forma creio que as tentativas microscópicas, tipo comunidades, comitês de bairro, organização de uma creche na faculdade etc., desempenham um papel absolutamente fundamental.” (Felix Guattari)

A função crítica e subversiva do cineclubismo se dá na criação de linhas de fuga coletivas, ultrapassando os domínios exclusivos da arte e também do cinema.

“Os sistemas simbólicos, como instrumentos de conhecimento e de comunicação, só podem exercer um poder estruturante porque são estruturados.” (Pierre Bordieu)

O artista atua cada vez mais nas relações em que o trabalho cria um público e inventa modelos de sociabilidades. Atuam num campo de produção que pretende introduzir no espaço a prática do cinema. As sessões de cineclube são um conjunto de tarefas alternativas que tenta reconstruir as relações perante um sistema comercial vigente.

“Seria um erro limitar as artes ao que o mundo ocidental considera como ‘alta cultura’.” (Joost Smiers)

O ser humano se constitui como sujeito nas relações. Marcel Duchamp chamou de “coeficiente da arte” esta forma de negociação inter-humana, esta abertura ao diálogo e à discussão. No jogo de trocas, o lugar e a função do espectador interliga pessoas e grupos.


Acontecimentos e trajetórias possíveis

O cotidiano se apresenta como terreno fecundo, tanto da produção das exibições, quanto na produção dos filmes (os grupos cineclubistas acabam se envolvendo com a realização de filmes, ou vice-versa). As sessões nos cineclubes costumam ser um evento. Para além da exibição, há o debate. Para além do debate, há a festa. Para além da festa, apresentações de artistas. Muita coisa rola: desde filmes que chegam fresquinhos na hora para serem exibidos, sem que nada tivesse sido programado, até recitação de poesias, performances, bandas musicais, DJ e por aí vai. A cada sessão, novas pessoas são agregadas, novas ideias chegam, eis que começa um novo ciclo para a preparação de um novo evento, de um novo filme, de uma nova amizade, de um novo projeto, de mais encontros e não acaba mais.
Na esfera das relações humanas, o intercâmbio social com o espectador acontece dentro da experiência estética proposta: fazer filmes e realizar sessões. A atitude diante do poder dominante das salas de exibição comerciais é um fato que essa geração enfrenta pra se libertar das restrições ideológicas da comunicação de massa e criar socialidades alternativas. É o convívio e a disponibilidade que interessa estes grupos. Os encontros informais, a troca de idéia, o compartilhamento que fazem da militância cineclubista as bases de uma estética híbrida, criativa e transitória:

“É enquanto instrumentos de comunicação e de conhecimento que os sistemas simbólicos cumprem a sua função política de instrumentos de imposição ou de legitimação da dominação, que contribuem para assegurar a dominação de uma classe sobre outra (violência simbólica) dando o reforço da sua própria força às relações de força que as fundamentam e contribuindo assim, segundo a expressão de Weber, para a ‘domesticação dos dominados’.” (Pierre Bordieu)

O caráter autônomo e independente das atuações são pontos em comum na construção do processo de trabalho. A exibição não é uma conclusão lógica, e sim um acontecimento. Indicam trajetórias possíveis na negociação do convívio que levam o espectador a tomar consciência do contexto em que se encontra. Lembrando que este espectador também pode ser cineclubista, cineasta ou nenhum nem outro. No ambiente dos cineclubes não há função específica, todos fazem tudo. Claro que tem pessoas que sabem fazer uma coisa e outras que sabem fazer outras. Mas é a troca, a partilha, a negociação, o convívio, o encontro que movimentam este universo.
O espectador não fica entre o papel de consumidor e testemunha. Convidado a se associar, pode se tornar co-produtor e protagonista na negociação das relações abertas. A arte de hoje leva em conta, no processo de trabalho, a presença da microcomunidade que pode acolhê-la. Assim, uma obra cria uma coletividade de espectadores participantes no seu modo de produção. Toda a comunidade que participa na realização dos filmes e/ ou da sessão, estarão presentes no dia da projeção.
Nicolas Borriaud fala do estreitamento entre o ator e o passante, devido a desenvoltura dos novos equipamentos de filmagem que possibilita o “cidadão comum” fazer filme com o “cidadão comum”.
Através dos filmes, fica evidente que todos podem mostrar o que pensam e sentem com o acesso fácil e relativamente barato dos meios digitais, funciona como um convite à criação e à ação.
A pluralidade é a idéia de interação e intercâmbio. Modos de vida e o estar juntos são a comunicação inter-humana e modos que ultrapassam os guetos e instituições pré-concebidas. Trazem a idéia de que público não é uma “massa” unitária, idéia esta fascista e totalitária. Esse tipo de relação, totalitária, constitui um exemplo moral com critério institucional restritíssimo, que quer definir o que é cinema de “verdade”.
O cineclube permite tomarmos consciência dos modos de produção em nossa época. Os filmes, ao serem exibidos, se tornam visíveis, permitindo que tenhamos acesso às práticas audiovisuais contemporâneas. O cinema popular contemporâneo produzido nas franjas da cidade e por pessoas “comuns”, encontram no cineclube o meio alternativo de acesso à suas obras. Consiste em subverter a autoridade da técnica do cinema, o que torna capaz de criar maneiras de pensar e expressar, ver e viver. O cineclube é subversivo porque enfrenta a autoridade do Direito de Exibição, ligada ao Direito Autoral, que quer controlar o acesso à cultura. Os cineclubes trabalham pelo Direito do Público.
As novas tecnologias digitais foram um grande marco no cinema e na arte de hoje. Possibilitou a expansão dos cineclubes e popularizou a produção audiovisual. A arte atual é afetada pelas maneiras de ver e pensar possibilidades. A câmera de vídeo e o projetor funcionam como pilares que possibilitam estas ações, e também o encontro e o acontecimento, são tão importantes, quanto o computador, a Internet e o microfone.
O cinema é o tema, a grande paixão dos cinéfilos que se propõem a fazer cineclube; mas é o esquema de ação, o encontro fortuito que constitui o objeto.

“...defendo que a alternativa à expansão do fascismo social é a construção de um novo padrão de relações locais, nacionais e transnacionais, baseados simultaneamente no princípio da redistribuição (igualdade) e no princípio do reconhecimento (diferença).” (Boaventura de Sousa Santos)

Estamos submetidos aos aparatos de nivelamento e estas situações, os cineclubes, lutam contra o domínio dos filmes enlatados que a indústria cinematográfica nos oferece ou contra o isolamento coletivo dos games.
A imagem efêmera do comportamento coletivo nasce com a idéia de rede e a projeção funciona como interstício contra a alienação reinante do mercado exibidor. Mercado este de acesso caro e restrito. Restrito à diversidade cinematográfica, aos lugares ermos, ao público sem grana, ao debate, entre tantas outras restrições. É a relação fornecedor/ cliente generalizada que apresenta um enorme déficit democrático.
A eficácia consiste em promover a multiplicidade, e não a individualidade, tão cara a ideologia que glorifica a solidão do artista/ criador e o louvor a “originalidade”. Os “grandes nomes”, ou seja, as celebridades, empobrecem o leque de possibilidades.
Os grupos cineclubistas criam instrumentos para resistir a uniformização dos gostos, dos comportamentos e dos pensamentos. Trabalham num sistema de trocas e de fluxos sociais que ocupam o lugar de áreas que ficaram vagas, devido a falta de espaços para estas trocas e fluxos. Tendem a atravessar os efeitos da homogeneização que o sistema capitalista exerce violentamente sobre o indivíduo. A atitude do fazer cineclubístico quer desterritorializar para operar bifurcações, novas trilhas. Tais são os procedimentos que quer definir o cinema como construção de um território político que enriqueça a relação com o mundo.

Conclusão

Trabalhar nesta redistribuição social da cultura é criar alternativas as formas dominantes de produção. O cinema vive uma crise no funcionamento do tripé: produção, distribuição e exibição. O circuito comercial exibidor não dá conta da produção contemporânea.
O cinema popular contemporâneo não é marginal nem institucionalizado.
Estas produções geralmente não estão enquadradas em leis de incentivo do governo, que são amplamente ligadas a iniciativas privadas que escolhem filmes de seus interesses, como grandes produções com artistas famosos e diretores consagrados. Por isso não existe distribuição oficial destes filmes, eles são distribuídos pelo próprio grupo realizador e exibidos em cineclubes e/ ou mostras e festivais de caráter alternativo e independente como a MFL (Mostra do Filme Livre); Visões Periféricas; Mostra de Filmes Universitários; entre outros.

“Trabalhar com o que foge de si mesmo, com o que é fugaz e esquivo, é árduo e tende a ser uma operação posta de lado em meios intelectuais rígidos como costuma ser universidades.” (Teixeira Coelho)

A produção independente e alternativa é uma resposta ao sistema dominante do cinema. Surgindo novos realizadores, contrapondo a universalização do domínio da informação, o movimento cineclubista cria rupturas e bifurcações no exercício da liberdade. Não se domestica para não cair na rotina reguladora.
O cineclubismo é o sentimento de uma ausência, de uma necessidade de comunidade que pode e deve se expressar pelos meios audiovisuais e contra a homogeneização dos modos de existência. O cineclube descomunica em relação ao poder constituído. É anti-mercado por natureza.

Priscilla Duarte da Silva
Mestranda no Programa de Pós-graduação em Arte, Cognição e Cultura/ UERJ

domingo, 12 de dezembro de 2010

CONSELHO NACIONAL DE CINECLUBES BRASILEIROS TEM NOVA DIRETORIA

Fonte : lista de dicussão CNC dialogo

CONSELHO NACIONAL DE CINECLUBES BRASILEIROS TEM NOVA DIRETORIA

Em Assembléia Geral realizada em Recife (PE), no encerramento da 28ª Jornada Nacional de Cineclubes foi eleita a nova diretoria para o CNC – Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros.

Realizada no período de 5 a 9 de dezembro, a 28ª Jornada Nacional de Cineclubes contou com a participação de 239 cineclubes em atividade em 26 estados, que além de elegerem novos dirigentes para a entidade, debateram e aprovaram as diretrizes que devem nortear a ação do movimento cineclubista brasileiro nos próximos dois anos.

O evento contou ainda com a participação de representantes das principais entidades governamentais e não governamentais do setor audiovisual, e ainda, de cineclubistas de 31 países dos cinco continentes, que vieram ao Brasil para participar da 3ª Conferência Mundial de Cineclubismo e da Assembléia Geral da FICC – Federação Internacional de Cineclubes, realizadas paralelamente a Jornada.

Segundo o novo presidente do CNC, Luiz Alberto Cassol “a nova Diretoria deve dar continuidade, aprofundar e fortalecer ainda mais as ações que vêm sendo desenvolvidas pelas sucessivas diretorias que comandaram o CNC nos últimos sete anos, que, para além das metas de reorganização do movimento e reocupação dos espaços institucionais almejados inicialmente, resultaram na transformação do CNC numa das maiores e mais importantes entidades do audiovisual brasileiro na atualidade. Nossas metas continuarão sendo basicamente as mesmas, ou seja, continuaremos lutando intransigentemente pelos direitos do público e pela universalização do acesso aos bens culturais. Pelo respeito às identidades e diversidades culturais e para que o cinema e o audiovisual brasileiro ocupem de forma majoritária todas as telas e janelas existentes no Brasil.”

Cassol destacou que pretende manter e fortalecer ainda mais as parcerias do CNC com todas as demais entidades do audiovisual brasileiro, especialmente as que vêm sendo desenvolvidas com o CBC – Congresso Brasileiro de Cinema, CBDC – Coalizão Brasileira Pela Diversidade Cultural, ABD – Associação Brasileira de Documentaristas e suas seções estaduais e com o Fórum dos Festivais.

Já a Vice-Presidente do CNC, Saskia Sá destacou como metas da nova diretoria a continuidade e consolidação dos principais projetos que vêm sendo desenvolvidos pelo CNC, como o Cine+Cultura, de recuperação da memória do movimento cineclubista brasileiro e da Filmoteca Carlos Vieira.

“Daremos ainda prioridade absoluta a realização de Seminários Estaduais e Nacional sobre a questão do Cinema e do Cineclubismo na Educação e ao acompanhamento da tramitação do projeto de lei do Senador Cristóvan Buarque que trata do tema. Do ponto de vista interno, nossa prioridade será o de ajudarmos a consolidação das entidades cineclubistas estaduais já existentes e a criação de novas entidades nos estados onde ainda não existem, já que entendemos que este é o melhor caminho para a democratização e horizontalização cada vez maior do movimento e do próprio CNC”.

Dentre as propostas aprovadas pelos cineclubistas participantes da 28ª Jornada Nacional de Cineclubes, além das diretrizes tiradas nos GTs que serão organizadas para a publicação dos anais da Jornada, merecem ainda especial destaque:

* O apoio do movimento cineclubista brasileiro a proposta de mudanças na atual lei do Direito Autoral, visando o fortalecimento dos direitos do público;
* O apoio à aprovação pelo Senado do PLC 116 (Nova Lei do Cabo);
* O apoio as políticas públicas voltadas à federalização das ações do MinC;
* O apoio ao projeto de Lei de Reforma da Lei Rouanet atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados;
* O apoio ao PNBL – Plano Nacional de Banda Larga;
* A continuidade das lutas pelo aumento da cota de tela no cinemas brasileiros e pela criação de cotas para a produção independente em todas as janelas e plataformas.

Confira abaixo a composição da nova diretoria do CNC

CHAPA NAÇÃO CINECLUBE

Diretoria Executiva:

Presidente: Luiz Alberto Cassol – Cineclube SMVC/RS

Vice-Presidente: Saskia Sá – Cineclube Abd Capixaba/ES

Secretário Geral: Gilvan Veiga Dockhorn – Cineclube Abelin Nas Nuvens/RS

Secretário Adjunto: Lauro Monteiro – Cineclube Paraty/RJ

Tesoureiro: Télcio Brezolin – Cineclube Lanterninha Aurélio/RS

Tesoureiro Adjunto: Mariza Teixeira – Cineclube Vozes Do Morro/ES

Diretor de Articulação Regional: Gê Carvalho – Cineclube Amoeda Digital/PE

Diretor de Articulação Regional Adjunto: Davy Alexandrisky – Cine Olho/RJ

Diretor de Formação: Jorge Conceição – Cineclube Imaginário/BA

Diretor de Formação Adjunto: Isidoro Cruz Neto – Cineclube Projeto Kalu/MA

Diretor de Memória: Nélson Marques – Cineclube Natal/RN

Diretor de Memória Adjunto: Gizely Cesconetto – Cineclube Laguna/SC

Diretor de Acervo e Difusão: Bruno Nunes Cabús – Cineclube Central/ES

Diretor de Acervo e Difusão Adjunto: Carolinne Vieira – Cineclube Gastrô/CE

Diretor de Comunicação: João Batista Pimentel Neto – Cineclube Difusão/SP

Diretor de Comunicação Adjunto: Simone Norberto – Cineclube Oca/RO

Diretorias Regionais:

Norte:

Diretor Regional: Arthur Leandro – Cineclube Rede [Aparelho] /PA

Diretor Adjunto: Juliana Machado – Cineclube Aquiry/AC

Nordeste:

Diretor Regional: Graziele Andrade Ferreira – Cineclube Npd Orlando Vieira/SE

Diretor Adjunto: Alex Nunes Barroso (Alex Fedoxx) - Cine Molotov/CE

Centro Oeste:

Diretor Regional: Lourenço Aparecido Favari – Cineclube Crec/SP

Diretor Adjunto: Daniela Maria Teixeira – Cineclube Participação/ES

Sudeste:

Diretor Regional: Renata De Oliveira Ramos - Cineclube Funec/MG

Diretor Adjunto: Valdecir Edson Marques – Cine Everest/SP

Sul:

Diretor Regional: Reno Luiz Caramori Filho – Cineclube Independente/SC

Diretor Adjunto: Helen Maria Psaros – Cine Guará/PR



João Baptista Pimentel Neto
Diretor de Comunicação
CNC – Conselho nacional de Cineclubes Brasileiros